Category: Era digital

Arriscar, errar e humanizar: lições da Web Summit

A última semana em Lisboa foi o culminar de dezenas de conversas que iniciei no Social Impact Lab na Alemanha, uma incubadora de inovação social com um programa para startups portuguesas

Tendo em conta a força da user experience no mundo da tecnologia, é de lamentar que a Web Summit 2016, em Lisboa, não se tenha lembrado do utilizador. Pelo menos no início: filas enormes e desorganizadas, falta de informação e milhares de pessoas acima da capacidade.

Mas depressa senti que o formato desta Web Summit não fez mais do que espelhar a era em que vivemos: correria constante, conversas superficiais e falta de concentração mesmo em painéis de vinte minutos. Culpa-se o Twitter, a caixa de email em reprodução constante e o horário a dizer-nos para onde ir já a seguir.

Consegui fazer o trabalho de casa muito antes de 7 de novembro, graças à App da conferência. E assim, entre 35 sessões assistidas em modo multitasking, conversei com duas agências de comunicação, dois pacientes, quatro líderes de startups sociais, nove startups portuguesas na área da saúde, quatro incubadoras e três engenheiros.

O meu kit de sobrevivência para a Web Summit, descrito pela Mariana de Araújo Barbosa no jornal ECO

O meu kit de sobrevivência para a Web Summit, descrito pela Mariana de Araújo Barbosa no jornal ECO

O que a Web Summit me ensinou (ou ajudou a confirmar):

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O terror empático

Je suis sick of this shit
Fiquei grudada à televisão no 11 de Setembro. A distância não impediu o meu peito adolescente de tremer nem a minha cabeça de fazer o luto por pessoas que não conhecia. Por causa de uns tais de terroristas.

Cresci, ocidental e pré-jornalista, a ver na televisão um Médio Oriente amarelo-seco com turbantes e barbas associados a gente doida. A mesma televisão que depois me contou sobre Londres e Madrid, numa era jornalística com imagens profissionais. Cidadã de um país no canto da Europa e de educação católica, quase fui forçada a ver a realidade muçulmana como diferente, estranha, longínqua.

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Dias longos de verão feliz

O verão começou, ainda que tímido; não percebo com que legitimidade lhe tiraram a letra maiúscula. O meu verão – de, por enquanto, menos de 48 horas – tem sido bastante feliz. Duas semanas de trabalho novo, ideias, desafios, aprendizagens, vontades e tudo o que descreverei depois. (Sabem, eu gosto de deixar algumas coisas para “depois”.)

Surge o fim-de-semana para explorar terraços de verão quando as nuvens dão tréguas, meio na dúvida. Vou parar à casa da minha nova chefe, lá no faroeste da Maria Londres, em consequência de convite após – repito – duas semanas de trabalho. Uma chefe de sorriso contagiante, sangue indiano, educação britânico-norte-americana, marido de San Diego que conheceu durante uma vida nómada entre as Filipinas e Manhattan. Eis que estamos à-mesa-à-americana, prato vegetariano ao colo, acompanhados de um economista de saúde dinamarquês e um geek de startups com três-quase-quatro-passaportes (sendo que o original é jamaicano e eu perdi a sequência das restantes histórias).

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Dentro do Tubo – II

Um flash de ontem, quando ia a caminho de Notting Hill, na Central Line. À minha frente, da direita para a esquerda, sentados:

– uma rapariga com ar doce segura um ramo gigante de flores que quase lhe tapa a cara

– um rapaz que devia vir de Shoreditch, de headphones nos ouvidos e um ar muito trendy

– um quarentão gordo de fato de treino e ar de quem não tomou banho

– uma chinoca pequenina, querida, de meia-idade, que simplesmente… fala sozinha numa língua estranha

– uma jovem trabalhadora pronta para aterrar em Notting Hill, impecável da cabeça aos pés, a ler no seu iPad.

Histórias de vida numa carruagem a muitos metros de profundidade.

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