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O terror empático

Je suis sick of this shit
Fiquei grudada à televisão no 11 de Setembro. A distância não impediu o meu peito adolescente de tremer nem a minha cabeça de fazer o luto por pessoas que não conhecia. Por causa de uns tais de terroristas.

Cresci, ocidental e pré-jornalista, a ver na televisão um Médio Oriente amarelo-seco com turbantes e barbas associados a gente doida. A mesma televisão que depois me contou sobre Londres e Madrid, numa era jornalística com imagens profissionais. Cidadã de um país no canto da Europa e de educação católica, quase fui forçada a ver a realidade muçulmana como diferente, estranha, longínqua.

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África

Histórias de família em era de guerra colonial em Moçambique. Histórias de família recém-criada, embarcada para Cabo Verde ao arranque dos anos 80. Histórias de família contadas à mesa ao longo de vinte e muitos anos. Ao fim de vinte e muitos anos, fui eu pisar solo africano pela primeira vez. Vinte e muitos anos atrasada.

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Alimentar sem-abrigo

Já disse aqui aqui que não suporto ver fome e pessoas sem casa. É difícil falar disso sem soar hipócrita, que todos nós dizemos o mesmo e diariamente ignoramos mendigos pelo canto do olho, enquanto as moedas chocalham na carteira e os cartões se preparam para comprar lazer online.

Tenho tentado fazer alguma coisa para mudar de reacção à minha própria hipocrisia. Há um senhor de olhos muito azuis e pele muito doente que todas as manhãs – geladas há praticamente meio ano – está sentado em cima de uma pilha de jornais num túnel debaixo da grandiosa Tower Bridge, mesmo ao lado do meu trabalho. Todo ele é cabisbaixo, excepto o copo de cartão que estende aos transeuntes. Pergunto “would you like some food?” e oiço um “yes please” muito triste ainda não acabei a frase. Já lhe dei bananas e bolachas. Já me pediu para ver se o folhado que lhe deram tinha alho “because I’m terribly allergic”. Olhos azuis. Não sei que vida têm. Todos os dias.

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Altitude

Acordar em Tilcara é como acordar no campo, no deserto e na montanha ao mesmo tempo. Sabe bem vestir roupas leves e sentir uma brisa matinal fresca, enquanto se saboreiam torradas com doce de leite e um chá (não de coca, apesar das folhas à mercê).

Cedo nos encontrámos com o guia local que nos acompanharia nessa manhã numa caminhada até às Cuevas del Wayra, a 2900 metros de altura, para ver o arco-íris da Quebrada de Humahuaca.

Uma caminhada que se revelou subida, dura, tórrida e seca, porém imponente e genuína. Para quem começa a saborear as maravilhas da meditação, a experiência auditiva foi – tal como em Iguaçú, por razões diferentes – a mais marcante. O raspar dos sapatos nas pedras do chão. Respiração ofegante. Brisa leve a chocar nos ouvidos. Água a balançar na garrafa. Sons que, se imobilizados, mergulham corpo e alma num som-a-nada sem descrição.

 

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Ecrãs

A caneta escorrega entre os dedos, a leitura duvida se a palavra está bem escrita. Com vontade de regressar ao início da frase, apercebe-se que a caneta no papel não apaga. Pode riscar mas não apagar. Então desenha um vê entre palavras onde encaixa outras mais pequenas. Se escrever pequenino, cabe. Os grandes textos têm muitos riscos.

As teclas podem escorregar entre os dedos, mas depressa o back space apaga e outra tecla qualquer corrige. O cérebro não dá pela mudança; escreve, apaga, reescreve. As frases em folhas de papel nascem de ideias atiradas em copy paste para o ecrã, gravadas para quando houver tempo. Quando há tempo são então seleccionadas, arrastadas, moldadas ao capricho. Também se faz arte assim.

Os textos de hoje são preto no branco, impressos à pressa, limpos. A qualidade já não importa tanto.

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Homem, Jornalista, Americano – e Português.

Uma das melhores entrevistas que já vi. Luís Costa Ribas, por Daniel Oliveira, em Nova Iorque. Sobre o 11 de Setembro.

Parte 1

Parte 2

Parte 3

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