Category: Cá longe (Page 1 of 10)

Fecha-se o ciclo

Leipzig 2007-2017

Dizem que não devemos regressar aos lugares onde fomos felizes. Eu, que nem sou de riscos, resolvi vir parar a Leipzig dez anos depois do ano em que senti uma concentração tal de felicidade que parecia nem caber em mim.

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Por detrás do Obrigada (ou sair à rua quando a chuva passa)

(read in English)

Faz amanhã um ano que eu desfrutava de um dos dias mais felizes da minha vida. Juntavam-se os meus dois mundos, o de lá e o de cá, comemorando três décadas de vida num dia de verão mais-que-perfeito.

Aos carros que vieram das minhas raízes lisboetas juntaram-se aviões oriundos de Dortmund, de Berlim, de Londres e de Bruxelas, com gentes francesas, alemãs, portuguesas, uruguaias, americanas, inglesas, irlandesas, italianas.

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(e não foi só isto!)

Para os caranguejos (e mais ainda para os caranguejos-pessimistas) é difícil aceitar a felicidade plena, mesmo que por um dia, como se tivesse mesmo de haver uma armadilha à espreita. Essa nervosa aceitação tem por isso mais sabor quando, olhando em volta, não se encontra armadilha nenhuma. Pelo contrário: aprecia-se a nuvem sob a qual meses se viveu, esquecendo as cores da infância, das paixões, do estrangeirismo. E enfim se sorri genuinamente.

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Brexit? Não me levem a Europa que tão feliz me tem feito

Um pedido a poucas horas de se conhecer o resultado do voto

Cépticos, incluindo eu, de que a Europa em que a minha geração cresceu tenha futuro. It’s all fucked up, dizemos enquanto galgamos cervejas, como se não houvesse esperança. Eu, pessimista por natureza, vou na conversa, acreditando também que se isto ou aquilo acontecer vamos pelos ares.

Vamos pelos ares porque nos tornamos divididos, como se não nos valesse então nenhum avião para nos dizer que somos parte de uma União cheia de história e cujos benefícios tomamos hoje por garantidos. Vamos pelos ares qual bomba que não sabe o que foi este território há tão poucas décadas, dizimado por outras bombas, aleatórias, enviadas pelo ódio e por argumentos desfundamentados.

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Esta coisa de estar triste e feliz (ou ode à amizade)

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As emoções atropelam-se para conseguirem lugar na carruagem. Depressa começam a rodopiar na montanha russa, bate o vento de frente, vento de medo apático.

É tão boa a sensação de repetir esta experiência: há que chamar de dádiva à possibilidade de me despedir outra vez com o coração a ferver. A despedida com sabor a certeza incerta, um lugar que sei que preciso de deixar mas que deixa em mim tanto de tão bom.

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É desta, Londres: vou-me embora

central parkSonho multiplicado esse, o de o trabalho me levar para aqueles lados. Trabalho também ele sonhado, lembrando-me que posso fazer algo por que o mundo agradece.

Nos dias de folga passeio com os laços do meu sangue, o Central Park pinta-se de vermelhos e amarelos-bronze num outono brindado a sol de verão. Despacha-te!, levanta o queixo, põe os ombros à vista e sorri com nostalgia que lá não tens disso.

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Enfim, derramar

DSC09997Desta vez são boas as razões por que os ombros sobem involuntariamente, o peito sobe e desce com pressa, as pernas e as mãos se inquietam. Tirem-me daqui agora que eu tenho de deitar cá para fora, com aquela vontade de antes.

Hoje sentiu-se hora disso. Talvez porque o eléctrico me transportou para outros tempos germânicos: as bicicletas a deslizar sossegadas junto aos carris, os cafés de mesas vazias porque não moram aqui milhões, o ar estranhamente limpo, o tempo sossegado. Essa cidade suíça de pouca graça, visitada em trabalho, contrastou com a familiaridade e a segurança que ainda sinto em qualquer cidadezinha assim, europeia-central, monótona de tão funcional, com sua língua, limpeza e as mesmas regras que me fizeram fugir.

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