Category: Saúde (Page 1 of 3)

10 pontos ofuscados pela indignação de uma morte por sarampo

 Ou o meu fascínio por comunicação sobre saúde:

vacinação de crianças

Foto: Wilson Dias

1) Vivemos uma era em que até as relações humanas e sociais são artificiais. É natural que o mundo ocidental e moderno queira “voltar às origens”. Mas desvalorizar a evidência científica é arrogância e desprezo por séculos de progresso.

2) Essa mesma evidência científica leva muitíssimos anos a conquistar e é muitas vezes financiada pelos nossos impostos. Se não confiamos nela é porque precisamos de aprender a interpretá-la.

3) Qualquer fármaco tem possíveis riscos. Mas se a evidência científica e as autoridades reguladoras os colocam no mercado é porque serão mais benéficos do que prejudiciais para a saúde pública.

4) Nunca percam a oportunidade de explicar à pessoa do lado o conceito de saúde pública: uma decisão aparentemente benéfica para uma pessoa pode pôr toda a comunidade em risco. A saúde pública deve ser vista como qualquer outra regra da democracia e da vida em sociedade.

5) Milhões de pessoas em África e na Ásia vêem a morte à sua frente, todo o santo dia, por doenças que se podem prevenir e até tratar. Se vissem gente “rica e limpa” a recusar vacinas ou medicamentos iriam rir para não chorar. (rima despropositada)

6) Muitos dos lesados por surtos como estes são profissionais de saúde – os mesmos que são constantemente chicoteados pela opinião pública.

7) Portugal tem uma cobertura de vacinação invejável a muitos países europeus. Nenhum Serviço Nacional de Saúde é perfeito e o nosso dá razões mais do que suficientes para nos orgulharmos dele.

8) Não interessa se a vacina é obrigatória ou não. Interessa educar para saber aceder, compreender e confiar em informação de qualidade, para então poder tomar decisões informadas.

9) Temos de pôr fim ao combate entre a ciência e a opinião, apelou e bem o Ministro da Saúde. Mas para isso precisamos de professores e de tecnologias de informação que ensinem, sobretudo os mais novos, a distinguir uma da outra.

10) Chega de provas de que precisamos urgentemente de melhor literacia em saúde?

(agora chega de blá blá – comunicar é importante mas fazer pela comunicação é mais)

gráfico sobre mensagens chave da saúde pública

Foto: National Health Corps

 

“Custa muito ver o carro que os vem buscar,” ouve-se no lar

Fui visitar a casa onde viveu o meu avô e a sua doença de Alzheimer. As cuidadoras contaram-me como é lidar com a demência

Entrada para lar de terceira idade em Azeitão, Portugal

Conforto dos Avós, Azeitão

Não há volta a dar: o Natal faz-nos refletir sobre a família. Uma reflexão que por vezes se traduz em ações, não fosse janeiro o mês em que a associação britânica Alzheimer’s Society regista um pico na angariação de donativos.

Trabalhei nessa associação durante dois anos. Para compensar a distância numa altura em que a minha família lidava com os sintomas da doença de Alzheimer do meu avô, fui enviando para casa o que ia aprendendo sobre o assunto.

Mas por mais que tenha aprendido, nunca soube o que é lidar com a demência no campo de batalha. Especialmente na fase mais avançada da doença. Por isso quis conhecer quem tratou do meu avô nos seus últimos meses de vida. Dia e noite, dia e noite, dia e noite.

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“Temos esclerose múltipla mas não somos incapazes”

Injecta-se como uma mera diabética, mas gostava de poder dizer que a sua doença é outra sem ser olhada com pena

Pés de Vera, que tem esclerose múltipla

Vera começou por sentir dormências nos pés, nas pernas, na cintura e numa mão, que acabavam por desaparecer ao fim de dias ou semanas

 

A Vera tem 40 anos e recebeu o diagnóstico de esclerose múltipla há três. Primeiro sentiu que lhe tinha saído o Euromilhões ao contrário; depois percebeu que é apenas mais um de muitos casos. Tantos que não acredita que haja apenas oito mil pessoas afectadas pela doença em Portugal.

Vera é um nome fictício porque o estigma assim o obriga – por enquanto. Deu ouvidos à sua médica neurologista quando lhe disse que não tinha uma sentença de incapacidade. Conseguiu deixar de ter pena de si própria e garante que tem uma vida normal.

Mas ainda é comum amigos e familiares (os poucos que sabem da sua condição) teimarem em achar que não. “Não podes pegar em sacos.” “Não podes ficar muito tempo em pé”.

Vera com esclerose múltipla a caminhar

A esclerose múltipla surge frequentemente entre os 20 e os 40 anos e afecta mais mulheres do que homens

“Posso, sim.”

Tanto pode que saiu do hospital a andar e já foi de Lisboa a Fátima a pé.

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Mais uma pessoa que morreu. Por desespero

Vítima ou não de suicídio, esta era mais uma das caras que escondia pesadelos por detrás de sorrisos – e que ninguém esperava que desaparecesse assim, aos 30 anos. Temos de acabar com isto

Há duas semanas, uma amiga que acompanhou a minha depressão chamou-me a atenção para o Facebook de um colega que tivemos em Londres. Fiquei surpreendida, mas sobretudo animada quando vi mais esta voz a erguer-se no meio da escuridão das redes sociais: o Ian admitia que os homens, como ele, deviam falar mais sobre a sua saúde mental e agradeceu publicamente a ajuda dos seus amigos mais próximos, por permitirem que ele ainda estivesse “cá”.

Hoje fico a saber que o Ian já não está “cá”.

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Arriscar, errar e humanizar: lições da Web Summit

A última semana em Lisboa foi o culminar de dezenas de conversas que iniciei no Social Impact Lab na Alemanha, uma incubadora de inovação social com um programa para startups portuguesas

Tendo em conta a força da user experience no mundo da tecnologia, é de lamentar que a Web Summit 2016, em Lisboa, não se tenha lembrado do utilizador. Pelo menos no início: filas enormes e desorganizadas, falta de informação e milhares de pessoas acima da capacidade.

Mas depressa senti que o formato desta Web Summit não fez mais do que espelhar a era em que vivemos: correria constante, conversas superficiais e falta de concentração mesmo em painéis de vinte minutos. Culpa-se o Twitter, a caixa de email em reprodução constante e o horário a dizer-nos para onde ir já a seguir.

Consegui fazer o trabalho de casa muito antes de 7 de novembro, graças à App da conferência. E assim, entre 35 sessões assistidas em modo multitasking, conversei com duas agências de comunicação, dois pacientes, quatro líderes de startups sociais, nove startups portuguesas na área da saúde, quatro incubadoras e três engenheiros.

O meu kit de sobrevivência para a Web Summit, descrito pela Mariana de Araújo Barbosa no jornal ECO

O meu kit de sobrevivência para a Web Summit, descrito pela Mariana de Araújo Barbosa no jornal ECO

O que a Web Summit me ensinou (ou ajudou a confirmar):

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Mãos no ar: quem sabe prestar primeiros socorros psicológicos?

Neste Dia Mundial da Saúde Mental a Organização Mundial de Saúde pediu-nos para saber agir sobre sinais de alerta. A prestação de socorros psicológicos passa por iniciar uma conversa, saber ouvir e saber o que não se deve dizer – mesmo quando a intenção é a melhor.

  • Prepara um café ou um chá para o teu amigo ou colega antes de começar a conversa. Como te sentes? Há quanto tempo estás assim? Tens recorrido a alguém que te possa ajudar?
  • Mantém um tom positivo, pergunta como podes ajudar ou sugere formas de apoio (por exemplo, uma consulta com o médico de família)
  • Ouve com empatia. Não critiques nem julgues, mesmo que o que estiveres a ouvir seja muito diferente da tua realidade
Guia para ter 10 minutos de conversa com alguém sobre a sua saúde mental

Guia da organização Mental Health First Aid para ter 10 minutos de conversa com alguém sobre a sua saúde mental

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