Injecta-se como uma mera diabética, mas gostava de poder dizer que a sua doença é outra sem ser olhada com pena

Pés de Vera, que tem esclerose múltipla

Vera começou por sentir dormências nos pés, nas pernas, na cintura e numa mão, que acabavam por desaparecer ao fim de dias ou semanas

 

A Vera tem 40 anos e recebeu o diagnóstico de esclerose múltipla há três. Primeiro sentiu que lhe tinha saído o Euromilhões ao contrário; depois percebeu que é apenas mais um de muitos casos. Tantos que não acredita que haja apenas oito mil pessoas afectadas pela doença em Portugal.

Vera é um nome fictício porque o estigma assim o obriga – por enquanto. Deu ouvidos à sua médica neurologista quando lhe disse que não tinha uma sentença de incapacidade. Conseguiu deixar de ter pena de si própria e garante que tem uma vida normal.

Mas ainda é comum amigos e familiares (os poucos que sabem da sua condição) teimarem em achar que não. “Não podes pegar em sacos.” “Não podes ficar muito tempo em pé”.

Vera com esclerose múltipla a caminhar

A esclerose múltipla surge frequentemente entre os 20 e os 40 anos e afecta mais mulheres do que homens

“Posso, sim.”

Tanto pode que saiu do hospital a andar e já foi de Lisboa a Fátima a pé.

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