Category: Traços diletantes (Page 1 of 14)

Fecha-se o ciclo

Leipzig 2007-2017

Dizem que não devemos regressar aos lugares onde fomos felizes. Eu, que nem sou de riscos, resolvi vir parar a Leipzig dez anos depois do ano em que senti uma concentração tal de felicidade que parecia nem caber em mim.

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Arriscar, errar e humanizar: lições da Web Summit

A última semana em Lisboa foi o culminar de dezenas de conversas que iniciei no Social Impact Lab na Alemanha, uma incubadora de inovação social com um programa para startups portuguesas

Tendo em conta a força da user experience no mundo da tecnologia, é de lamentar que a Web Summit 2016, em Lisboa, não se tenha lembrado do utilizador. Pelo menos no início: filas enormes e desorganizadas, falta de informação e milhares de pessoas acima da capacidade.

Mas depressa senti que o formato desta Web Summit não fez mais do que espelhar a era em que vivemos: correria constante, conversas superficiais e falta de concentração mesmo em painéis de vinte minutos. Culpa-se o Twitter, a caixa de email em reprodução constante e o horário a dizer-nos para onde ir já a seguir.

Consegui fazer o trabalho de casa muito antes de 7 de novembro, graças à App da conferência. E assim, entre 35 sessões assistidas em modo multitasking, conversei com duas agências de comunicação, dois pacientes, quatro líderes de startups sociais, nove startups portuguesas na área da saúde, quatro incubadoras e três engenheiros.

O meu kit de sobrevivência para a Web Summit, descrito pela Mariana de Araújo Barbosa no jornal ECO

O meu kit de sobrevivência para a Web Summit, descrito pela Mariana de Araújo Barbosa no jornal ECO

O que a Web Summit me ensinou (ou ajudou a confirmar):

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Inspira, Verão

fim do dia na praia da carriagem

Praia da Carriagem, Costa Vicentina, Portugal

 

Brotam emoções más pelos poros relaxados pela luz de Julho. Postais formam-se ao deitar sobre a areia fofa, a mão e o antebraço quase negros em primeiro plano sobre as rochas negras-laminadas, depois a espuma, depois as ondas, depois o mar aberto até encontrar o azul mais claro lá de cima – esse mesmo, céu.

Transpiram-se emoções de Inverno à medida que se caminha e chapinha no fim do mar a dar à terra, com gente em redor que, no anonimato, partilha a mesma sede de Verão. E assim inspiramos em conjunto o ar salgado que queremos muito que nos fique cá dentro para nos aguentarmos daqui a uns meses.

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Portugalidade sobre os carris do Douro

Oriente-Campanhã

O sotaque da estação final não engana. Atiro a mochila para as costas, compro um petisco com medo de usar palavras de moura (na dúvida, respondo sempre “o meu pai nasceu aqui, não se zangue comigo!”) e aproximo-me da plataforma onde desta vez se lê Tua, esse nome que sempre me intrigou. Livro, caderno, caneta, portátil, água e música: estava prontíssima para o meu passeio isolado por esse troço histórico, mesmo a pedir reflexões de carangueja.

– Aqui está mais fresquinho… A menina tem este lugar ocupado? Não gosto de estar atafulhado ali à frente…

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Rio 2016: Desculpa e obrigada, Brasil 

Marinheiros portugueses representados na abertura do Rio 2016 (Foto Ivan Alvaradas / Reuters)Marinheiros portugueses representados na abertura do Rio 2016 (Foto Ivan Alvaradas / Reuters)

Caravelas portuguesas representadas na abertura dos Jogos Olímpicos 2016, Rio de Janeiro (Foto Ivan Alvaradas / Reuters)

Lembro-me com muita clareza das aulas de História, em Lisboa, onde se falava de grandiosidade, de mapas cor-de-rosa, de património, de conquista e dominância – tudo sob a égide desse grande título, “Descobrimentos”.

Mais tarde, a família que tenho no Brasil levou-me lá duas vezes: São Paulo, Rio de Janeiro, Florianópolis e paradas pelo caminho – incluindo a Paraty que nos faz viajar num tempo português que já não existe mas sim.

Ao ouvir repetidamente “Oi?” quando conversávamos por espaços paulistas, em 2000, o nosso encanto pelo Brasil das novelas foi-se dissipando para dar lugar àquele de que a família nos contava: primos pré-adolescentes vítimas de bullying por serem portugueses, esses da padaria e do bigode. Valeu-lhes a mudança de escola quando o sotaque já brasileiro abafava humilhações.

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Essa pressão de sermos gratos pelo que temos

“Aproveita a vida que ela é curta, agradece pelo que tens,
Deus castiga-te se te queixares demais, já viste tanta gente a morrer à fome?”

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Nasceste assim, criança feliz: de covinhas sorridentes, braços abertos e pneus acima do valor recommendado. Sorrias como quem já agradecia por essa vida perfeita de comer e dormir, no pico de um verão ainda sem buraco do ozono.

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