Category: Observadora compulsiva (Page 1 of 6)

Cinco meses de Portugalidade

Não me lembrava de ter vivido tanta coisa em apenas cinco meses desde os tempos de Erasmus. E não me lembro da última vez que passei tanto tempo sem apanhar um avião.

Naquela tenra altura falava em apanhar o comboio para “ir ter comigo mesma”. Pois que aterrei de avião na minha terra precisamente para me encontrar de novo com este self amadurecidamente saltitante. Apesar do peso dos verbos voltar, estar, ficar, só agora olho para trás e reparo que mais tem sido um reboliço de areia a tentar assentar, molhar-se, enraizar-se.

E que bem que me tem sabido. Ver a minha Lisboa de prédios re-erguidos, de ruas e esplanadas cheias. Até o queixume que se me voltou do “antes é que era bom”, quando as casas tinham preços decentes. Só que não era bom coisa nenhuma -não me vou esquecer do aperto no coração que me davam as visitas de lá para cá às pinguinhas, trazendo histórias e ordenado e sorrisos fresquinhos, mas tudo o que ouvia era a crise e tudo o que via era a crise – nas ruas, nas arcadas, na calçada portuguesa molhada de tristeza. Tudo o que via era o meu silêncio envergonhado de quem saltara do barco que se afundava, achando que não tinha legitimidade para me queixar do que me custava do lado de lá. (Com os anos aprendi que toda a dor é legítima, mas isso é outra conversa.)

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Portugalidade sobre os carris do Douro

Oriente-Campanhã

O sotaque da estação final não engana. Atiro a mochila para as costas, compro um petisco com medo de usar palavras de moura (na dúvida, respondo sempre “o meu pai nasceu aqui, não se zangue comigo!”) e aproximo-me da plataforma onde desta vez se lê Tua, esse nome que sempre me intrigou. Livro, caderno, caneta, portátil, água e música: estava prontíssima para o meu passeio isolado por esse troço histórico, mesmo a pedir reflexões de carangueja.

– Aqui está mais fresquinho… A menina tem este lugar ocupado? Não gosto de estar atafulhado ali à frente…

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Si mesma

Totnes

Branco, silêncio, ausência. Adesivo na boca, só saía o que é preciso, a linha na malfadada lista, de malfadada a gratificante. Quem diria que este lugar lhe faria perceber como a lista é precisa, é intrínseca, é parte de si?

Tocam as notas saltitantes, fazem-na saltar também entre o antes e o depois, o ano que passou e os tempos que lembra desde que se conhece, as listas, os saltos, a forma como sempre foi. O mesmo tempo que vai dançando, diz ele. Não lhe tem dado atenção, mas sabe bem como a sua dança a incomodava. Agora percebe-o porquê, mas ainda faz pouco para parar a tendência. Com calma vamos lá.

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Tenho um coração que ferve

Dizem que é de ter nascido naquele dia de Julho – que “os caranguejos têm as emoções à flor da pele”. Caramba, tudo me sensibiliza. A sensação de que não estou a aproveitar bem o tempo, o meu tempo, no sítio onde escolhi passá-lo por agora. As gargalhadas solitárias em reacção ao que as galinhas me dizem através de ecrãs, a confirmar que a amizade é mesmo além-fronteiras. O vídeo que me alivia – há amor verdadeiro sim – e as mensagens para Casa a confirmar-me a saudade diária do meu espaço de sempre.

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Ano ante ano

Sou de meses; e no último do ano ė-me costume olhar séria pela janela e começar a rebobinar.

Começou na Argentina, choque térmico de 50 graus que obrigava à relativização. Por vezes só precisamos de mudar de latitude – ou de hemisfério – para pensar sob outra perspectiva. Talvez tenha passado de vez para o lado dos nórdicos, que dividem a vida entre o trabalho no frio e as férias no calor. Mas que não se trabalhe só para poder viajar, que trabalhar naquilo com que se sonhou – saúde – e ainda por cima por uma boa causa, não dá remorso.

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Maria londrina nova-iorquina

Vi Nova Iorque com as suas imponentes torres gémeas, que me apeteceu abraçar de anorak em puberdade. Senti-as amigas mais velhas a dizer-me que fazia bem em querer escrever para a vida (ou qualquer coisa assim).

Vi Nova Iorque sem torres, um Ground Zero de chão levantado e com ranhuras, qual terramoto provocado por uma dúzia de homens loucos. Elevavam-se as bandeiras orgulhosas do costume.

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