Page 2 of 28

“Temos esclerose múltipla mas não somos incapazes”

Injecta-se como uma mera diabética, mas gostava de poder dizer que a sua doença é outra sem ser olhada com pena

Pés de Vera, que tem esclerose múltipla

Vera começou por sentir dormências nos pés, nas pernas, na cintura e numa mão, que acabavam por desaparecer ao fim de dias ou semanas

 

A Vera tem 40 anos e recebeu o diagnóstico de esclerose múltipla há três. Primeiro sentiu que lhe tinha saído o Euromilhões ao contrário; depois percebeu que é apenas mais um de muitos casos. Tantos que não acredita que haja apenas oito mil pessoas afectadas pela doença em Portugal.

Vera é um nome fictício porque o estigma assim o obriga – por enquanto. Deu ouvidos à sua médica neurologista quando lhe disse que não tinha uma sentença de incapacidade. Conseguiu deixar de ter pena de si própria e garante que tem uma vida normal.

Mas ainda é comum amigos e familiares (os poucos que sabem da sua condição) teimarem em achar que não. “Não podes pegar em sacos.” “Não podes ficar muito tempo em pé”.

Vera com esclerose múltipla a caminhar

A esclerose múltipla surge frequentemente entre os 20 e os 40 anos e afecta mais mulheres do que homens

“Posso, sim.”

Tanto pode que saiu do hospital a andar e já foi de Lisboa a Fátima a pé.

Read More

Mais uma pessoa que morreu. Por desespero

Vítima ou não de suicídio, esta era mais uma das caras que escondia pesadelos por detrás de sorrisos – e que ninguém esperava que desaparecesse assim, aos 30 anos. Temos de acabar com isto

Há duas semanas, uma amiga que acompanhou a minha depressão chamou-me a atenção para o Facebook de um colega que tivemos em Londres. Fiquei surpreendida, mas sobretudo animada quando vi mais esta voz a erguer-se no meio da escuridão das redes sociais: o Ian admitia que os homens, como ele, deviam falar mais sobre a sua saúde mental e agradeceu publicamente a ajuda dos seus amigos mais próximos, por permitirem que ele ainda estivesse “cá”.

Hoje fico a saber que o Ian já não está “cá”.

Read More

Arriscar, errar e humanizar: lições da Web Summit

A última semana em Lisboa foi o culminar de dezenas de conversas que iniciei no Social Impact Lab na Alemanha, uma incubadora de inovação social com um programa para startups portuguesas

Tendo em conta a força da user experience no mundo da tecnologia, é de lamentar que a Web Summit 2016, em Lisboa, não se tenha lembrado do utilizador. Pelo menos no início: filas enormes e desorganizadas, falta de informação e milhares de pessoas acima da capacidade.

Mas depressa senti que o formato desta Web Summit não fez mais do que espelhar a era em que vivemos: correria constante, conversas superficiais e falta de concentração mesmo em painéis de vinte minutos. Culpa-se o Twitter, a caixa de email em reprodução constante e o horário a dizer-nos para onde ir já a seguir.

Consegui fazer o trabalho de casa muito antes de 7 de novembro, graças à App da conferência. E assim, entre 35 sessões assistidas em modo multitasking, conversei com duas agências de comunicação, dois pacientes, quatro líderes de startups sociais, nove startups portuguesas na área da saúde, quatro incubadoras e três engenheiros.

O meu kit de sobrevivência para a Web Summit, descrito pela Mariana de Araújo Barbosa no jornal ECO

O meu kit de sobrevivência para a Web Summit, descrito pela Mariana de Araújo Barbosa no jornal ECO

O que a Web Summit me ensinou (ou ajudou a confirmar):

Read More

Mãos no ar: quem sabe prestar primeiros socorros psicológicos?

Neste Dia Mundial da Saúde Mental a Organização Mundial de Saúde pediu-nos para saber agir sobre sinais de alerta. A prestação de socorros psicológicos passa por iniciar uma conversa, saber ouvir e saber o que não se deve dizer – mesmo quando a intenção é a melhor.

  • Prepara um café ou um chá para o teu amigo ou colega antes de começar a conversa. Como te sentes? Há quanto tempo estás assim? Tens recorrido a alguém que te possa ajudar?
  • Mantém um tom positivo, pergunta como podes ajudar ou sugere formas de apoio (por exemplo, uma consulta com o médico de família)
  • Ouve com empatia. Não critiques nem julgues, mesmo que o que estiveres a ouvir seja muito diferente da tua realidade
Guia para ter 10 minutos de conversa com alguém sobre a sua saúde mental

Guia da organização Mental Health First Aid para ter 10 minutos de conversa com alguém sobre a sua saúde mental

Read More

É preciso falar sobre depressão (então por que não começar pela minha)

(read in English)

A depressão tem sintomas, ora óbvios ora subtis. Mas não deve ser à toa que a palavra sintoma tem por lá escondido o verbo sentir

Escrevo desde que me conheço. Para toda a gente ou só para mim, para grupos ou uma pessoa de cada vez. Há quem precise de correr, de cozinhar, de não estar em casa, de ver amigos todos os dias; eu sempre precisei de escrever, mesmo que nem eu própria me lesse.

Durante dois anos, perdi a vontade de fazer uma das coisas que mais me dava prazer. Perdi a conta às vezes em que aconcheguei a almofada atrás de mim e pus o portátil ao colo, para poucos minutos depois fechar tudo e descer a almofada porque não saíra mais do que uma linha. Tentei com cadernos antigos e novos, canetas boas, tentei à noite e de manhã, tentei com velas e com música, em casa e em cafés, de viagem ou onde calhasse. Tentei fugir num inverno em retiro para uma aldeia no sul de uma ilha, quatro dias em que o plano era só escrever.

E não saía nada.

Nada.

Read More

Inspira, Verão

fim do dia na praia da carriagem

Praia da Carriagem, Costa Vicentina, Portugal

 

Brotam emoções más pelos poros relaxados pela luz de Julho. Postais formam-se ao deitar sobre a areia fofa, a mão e o antebraço quase negros em primeiro plano sobre as rochas negras-laminadas, depois a espuma, depois as ondas, depois o mar aberto até encontrar o azul mais claro lá de cima – esse mesmo, céu.

Transpiram-se emoções de Inverno à medida que se caminha e chapinha no fim do mar a dar à terra, com gente em redor que, no anonimato, partilha a mesma sede de Verão. E assim inspiramos em conjunto o ar salgado que queremos muito que nos fique cá dentro para nos aguentarmos daqui a uns meses.

Read More

Page 2 of 28

Powered by WordPress & Theme by Anders Norén