Page 2 of 27

Arriscar, errar e humanizar: lições da Web Summit

A última semana em Lisboa foi o culminar de dezenas de conversas que iniciei no Social Impact Lab na Alemanha, uma incubadora de inovação social com um programa para startups portuguesas

Tendo em conta a força da user experience no mundo da tecnologia, é de lamentar que a Web Summit 2016, em Lisboa, não se tenha lembrado do utilizador. Pelo menos no início: filas enormes e desorganizadas, falta de informação e milhares de pessoas acima da capacidade.

Mas depressa senti que o formato desta Web Summit não fez mais do que espelhar a era em que vivemos: correria constante, conversas superficiais e falta de concentração mesmo em painéis de vinte minutos. Culpa-se o Twitter, a caixa de email em reprodução constante e o horário a dizer-nos para onde ir já a seguir.

Consegui fazer o trabalho de casa muito antes de 7 de novembro, graças à App da conferência. E assim, entre 35 sessões assistidas em modo multitasking, conversei com duas agências de comunicação, dois pacientes, quatro líderes de startups sociais, nove startups portuguesas na área da saúde, quatro incubadoras e três engenheiros.

O meu kit de sobrevivência para a Web Summit, descrito pela Mariana de Araújo Barbosa no jornal ECO

O meu kit de sobrevivência para a Web Summit, descrito pela Mariana de Araújo Barbosa no jornal ECO

O que a Web Summit me ensinou (ou ajudou a confirmar):

Read More

Mãos no ar: quem sabe prestar primeiros socorros psicológicos?

Neste Dia Mundial da Saúde Mental a Organização Mundial de Saúde pediu-nos para saber agir sobre sinais de alerta. A prestação de socorros psicológicos passa por iniciar uma conversa, saber ouvir e saber o que não se deve dizer – mesmo quando a intenção é a melhor.

  • Prepara um café ou um chá para o teu amigo ou colega antes de começar a conversa. Como te sentes? Há quanto tempo estás assim? Tens recorrido a alguém que te possa ajudar?
  • Mantém um tom positivo, pergunta como podes ajudar ou sugere formas de apoio (por exemplo, uma consulta com o médico de família)
  • Ouve com empatia. Não critiques nem julgues, mesmo que o que estiveres a ouvir seja muito diferente da tua realidade
Guia para ter 10 minutos de conversa com alguém sobre a sua saúde mental

Guia da organização Mental Health First Aid para ter 10 minutos de conversa com alguém sobre a sua saúde mental

Read More

É preciso falar sobre depressão (então por que não começar pela minha)

(read in English)

A depressão tem sintomas, ora óbvios ora subtis. Mas não deve ser à toa que a palavra sintoma tem por lá escondido o verbo sentir

Escrevo desde que me conheço. Para toda a gente ou só para mim, para grupos ou uma pessoa de cada vez. Há quem precise de correr, de cozinhar, de não estar em casa, de ver amigos todos os dias; eu sempre precisei de escrever, mesmo que nem eu própria me lesse.

Durante dois anos, perdi a vontade de fazer uma das coisas que mais me dava prazer. Perdi a conta às vezes em que aconcheguei a almofada atrás de mim e pus o portátil ao colo, para poucos minutos depois fechar tudo e descer a almofada porque não saíra mais do que uma linha. Tentei com cadernos antigos e novos, canetas boas, tentei à noite e de manhã, tentei com velas e com música, em casa e em cafés, de viagem ou onde calhasse. Tentei fugir num inverno em retiro para uma aldeia no sul de uma ilha, quatro dias em que o plano era só escrever.

E não saía nada.

Nada.

Read More

Inspira, Verão

fim do dia na praia da carriagem

Praia da Carriagem, Costa Vicentina, Portugal

 

Brotam emoções más pelos poros relaxados pela luz de Julho. Postais formam-se ao deitar sobre a areia fofa, a mão e o antebraço quase negros em primeiro plano sobre as rochas negras-laminadas, depois a espuma, depois as ondas, depois o mar aberto até encontrar o azul mais claro lá de cima – esse mesmo, céu.

Transpiram-se emoções de Inverno à medida que se caminha e chapinha no fim do mar a dar à terra, com gente em redor que, no anonimato, partilha a mesma sede de Verão. E assim inspiramos em conjunto o ar salgado que queremos muito que nos fique cá dentro para nos aguentarmos daqui a uns meses.

Read More

Paremos de fingir que está sempre tudo bem

(read in English)

…e falemos sobre saúde mental. Basta de partilhar cores e sorrisos, de ler sobre conquistas e viagens de sonho. Há momentos cinzentos que precisam de ser gritados – que a vida é mesmo assim e a dor partilhada custa menos

É só com a postura de hoje que consigo meter mãos à obra, ou dedos às teclas. Por isso conto um episódio já recente que muito me marcou, quando fui a uma conferência em Gainesville, uma pequena cidade universitária no Norte da Florida, Estados Unidos, no Inverno que passou.

Foram quatro dias apertados, dois deles de viagem; talvez daí tenha sido tudo tão intenso. O meu estado era já de maior clareza sobre mim mesma, sensível a histórias que inspiram, a pessoas, músicas e espaços.

debora miranda na conferência frank, onde se partilham exemplos de como a comunicação pode melhorar o mundoEsta é uma conferência pouco convencional: chama-se frank e junta profissionais que acreditam que a comunicação, quando bem feita, pode melhorar o mundo. Sendo ela muito humana e sobretudo num estilo muito norte-americano, deixei-me levar pelas experiências genuínas de dezenas de pessoas – e ferveu-me a necessidade de também lançar ao ar os meus pensamentos. Talvez assim se fizesse empatia.

A fervura foi tal que, num dos três voos de regresso (Gainesville – Miami – Londres – Lisboa), depois de meses a lutar para que as palavras me saíssem, escrevi:

Read More

Portugalidade sobre os carris do Douro

Oriente-Campanhã

O sotaque da estação final não engana. Atiro a mochila para as costas, compro um petisco com medo de usar palavras de moura (na dúvida, respondo sempre “o meu pai nasceu aqui, não se zangue comigo!”) e aproximo-me da plataforma onde desta vez se lê Tua, esse nome que sempre me intrigou. Livro, caderno, caneta, portátil, água e música: estava prontíssima para o meu passeio isolado por esse troço histórico, mesmo a pedir reflexões de carangueja.

– Aqui está mais fresquinho… A menina tem este lugar ocupado? Não gosto de estar atafulhado ali à frente…

Read More

Page 2 of 27

Powered by WordPress & Theme by Anders Norén