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Por detrás do Obrigada (ou sair à rua quando a chuva passa)

(read in English)

Faz amanhã um ano que eu desfrutava de um dos dias mais felizes da minha vida. Juntavam-se os meus dois mundos, o de lá e o de cá, comemorando três décadas de vida num dia de verão mais-que-perfeito.

Aos carros que vieram das minhas raízes lisboetas juntaram-se aviões oriundos de Dortmund, de Berlim, de Londres e de Bruxelas, com gentes francesas, alemãs, portuguesas, uruguaias, americanas, inglesas, irlandesas, italianas.

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(e não foi só isto!)

Para os caranguejos (e mais ainda para os caranguejos-pessimistas) é difícil aceitar a felicidade plena, mesmo que por um dia, como se tivesse mesmo de haver uma armadilha à espreita. Essa nervosa aceitação tem por isso mais sabor quando, olhando em volta, não se encontra armadilha nenhuma. Pelo contrário: aprecia-se a nuvem sob a qual meses se viveu, esquecendo as cores da infância, das paixões, do estrangeirismo. E enfim se sorri genuinamente.

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Esta coisa de estar triste e feliz (ou ode à amizade)

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As emoções atropelam-se para conseguirem lugar na carruagem. Depressa começam a rodopiar na montanha russa, bate o vento de frente, vento de medo apático.

É tão boa a sensação de repetir esta experiência: há que chamar de dádiva à possibilidade de me despedir outra vez com o coração a ferver. A despedida com sabor a certeza incerta, um lugar que sei que preciso de deixar mas que deixa em mim tanto de tão bom.

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Tenho um coração que ferve

Dizem que é de ter nascido naquele dia de Julho – que “os caranguejos têm as emoções à flor da pele”. Caramba, tudo me sensibiliza. A sensação de que não estou a aproveitar bem o tempo, o meu tempo, no sítio onde escolhi passá-lo por agora. As gargalhadas solitárias em reacção ao que as galinhas me dizem através de ecrãs, a confirmar que a amizade é mesmo além-fronteiras. O vídeo que me alivia – há amor verdadeiro sim – e as mensagens para Casa a confirmar-me a saudade diária do meu espaço de sempre.

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Deixemo-nos de merdinhas

Ainda estou em réstias da explosão de emoções daquele dia. Orgulho, admiração, negação, gratidão, culpa, compaixão, determinação.

Acordei já mentalizada para a nova rotina de vários dias: aquecer panelas de água para tomar banho – que casas vitorianas têm tanto de bonito e trendy como de problemático. Depois enfiei-me no metro a hora de ponta chuvosa, com a mochila monstruosa da minha irmã hippie para dar a uma amiga – que em Londres é comum distribuir-se baggage allowance pelos viajantes-e-seus-amigos e assim poupar uns trocos.

Com as costas feitas num oito disse o habitual “morning!” aos meus colegas, fui pôr a massa no frigorífico, sentei-me à secretária e comecei o meu último dia de trabalho na Alzheimer’s Society. Vinte meses sobre os quais escrevo depois.

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Chefia

É Março e neva lá fora em estilo chove-neve, um insulto para a época. Não apetece sair de casa, mas um exame oftalmológico a isso obriga e com ele segue a obrigação de ficar longe de casa, que é pelo fim-de-semana que esperamos segunda, terça, quarta, quinta, sexta.

Estou de repente à mesa de um casal de brasileiros cuja friendliness não tem descrição. Estão cá há três anos, finalmente instalados graças ao long-fought-for passaporte italiano; uma casa com espaço para as visitas do outro lado do oceano e uma hospitalidade sanguínea para europeus e afins.

Quando me sinto entre o mesmo sangue, não há hipótese – não consigo fingir nem esconder-me. Eles entendem-me. Também eles sofrem com o regresso a casa. Os seus, longínquos, também não entendem que é diferente cá longe, que é bom, que é melhor, que confunde. Esses que por não entenderem, sem querer, não estendem o braço amigo. Não percebem que esse braço é necessário.

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Irmãmente

Eu fui andando primeiro porque calhou.

É engraçado como nessa altura se viam olhares de dúvida lá em baixo, ainda perto, será que ela consegue?, olhares que de alguma forma incentivavam. Subindo aos poucos, cada passo era dado com cautela e observação, por vezes com descuido ou desconcentração, sempre em distâncias curtas, e sempre perguntando lá para trás: que tal estou?

Dizem que devagar se vai ao longe. Já o meu longe mais parecia isolamento, que quanto mais subia, mais silenciavam as tais vozes do incentivo. A multidão que antes me ouvia e observava foi-se dispersando; talvez tenham achado que eu estava bem entregue e seguiram por isso o seu caminho. Mas os que sabiam os meus passos pequeninos e custosos, tão pouquinhos e tão preciosos, seguiram o seu caminho sem se dispersar. Hoje, sempre que paro e olho para trás, o sorriso que se me esboça é de orgulho, gratidão – e uma angústia que só eu sei.

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