Tag: emigração

É desta, Londres: vou-me embora

central parkSonho multiplicado esse, o de o trabalho me levar para aqueles lados. Trabalho também ele sonhado, lembrando-me que posso fazer algo por que o mundo agradece.

Nos dias de folga passeio com os laços do meu sangue, o Central Park pinta-se de vermelhos e amarelos-bronze num outono brindado a sol de verão. Despacha-te!, levanta o queixo, põe os ombros à vista e sorri com nostalgia que lá não tens disso.

Read More

Diletante há uns bons anos

dez anos

Lembras-te, blogosfera? Conhecemo-nos no dia em que começou a Primavera em 2004. Faz hoje dez anos.

Não podia imaginar que aquele primeiro post na blogspot se desenvolveria por uma década.

primeiro post da diletante

“Porquê diletante?”, muitos me perguntam. Aprendi a palavra na adolescência, ao ler Os Maias. Achei que o Carlos da Maia combinava comigo. Querer fazer, dizer que ia fazer, acabar por não concretizar nada.

Escrevi-te palavras muito pessoais. Ainda as escrevo, mas mais protegidas – dizem que crescer nos torna assim. Mas continuo a defender a transparência. Escrevo o que vejo, penso, vivo.

Fui descrevendo os outros a apanhar aviões, suspirando por não ter coragem. “Um dia”.

Read More

Tenho um coração que ferve

Dizem que é de ter nascido naquele dia de Julho – que “os caranguejos têm as emoções à flor da pele”. Caramba, tudo me sensibiliza. A sensação de que não estou a aproveitar bem o tempo, o meu tempo, no sítio onde escolhi passá-lo por agora. As gargalhadas solitárias em reacção ao que as galinhas me dizem através de ecrãs, a confirmar que a amizade é mesmo além-fronteiras. O vídeo que me alivia – há amor verdadeiro sim – e as mensagens para Casa a confirmar-me a saudade diária do meu espaço de sempre.

Read More

Carta de uma emigrante ao Santo António

Querido Santo António,

Vim à nossa Lisboa mais uma vez. (Vim, fui, estou, sou, sinto; nunca sei que verbo usar). Gosto de falar contigo sempre que me vejo a sobrevoar a nossa costa e as nossas sete colinas, inchada de orgulho para os branquinhos que ao meu lado no avião sussurram beautiful’s e wunderschön’s como quem lhes quer dizer: é minha!

Acompanhas-me nestas lides de emigrante europeia (ai o que seria de mim se transatlântica) há meia dúzia de anos. Já me viste tanto histérica como deprimida de por cá andar sobre a calçada que já não me é rotina. Essa calçada que piso sem pressas, que todos os restantes passos são vagarosos e põem a Maria Londres em memórias distantes. Até as escadas rolantes são mais lentas e ninguém nelas corre pela esquerda. Aliás: ninguém corre.

Cá (ou lá) as minhas pernas entram em repouso, que não caminho nem um décimo das milhas londrinas, e passo o tempo sentada – a comer ou no carro ou nos tais passos vagarosos. Vagarosos também os convívios, e que bem que sabe vir ter contigo no mês em que tudo se enche de sorrisos e tragos e passos de dança leves.

Read More

Maria Londres. Da decisão de ficar

Escrevi muitíssimo sobre Leipzig, bastante sobre Bonn, um bom bocado sobre Bruxelas, pouco sobre Genebra e quase nada sobre Londres – pelo menos na proporção do tempo que cá passei, que já quase iguala o alemão.

Esta é a quinta cidade e o quarto país onde vivo desde que deixei a minha Maria Lisboa, e várias razões explicam a ausência de palavras (d)escritas sobre a minha vida aqui.

Primeiro – e como minha desculpa recorrente – porque em Londres não há tempo. Até os meus amigos mais energéticos dizem que saem daqui cansados. Há que aprender a comprar bilhetes de metro rapidamente, a encostar à direita nas escadas rolantes para que outros corram à esquerda, e a olhar cuidadosamente para trás se quisermos ultrapassar; vem mesmo gente disparada lá de cima. Há que aprender a atirar as compras do supermercado para o saco antes que o next-customer-please nos pise os sapatos (rasos, que em Londres os saltos altos vão num saco de plástico na mala). Andamos todos a correr porque aqui não sobra tempo para tudo, ou muito, ou nada. Escrever é vítima.

Read More

Os meus documentos

 

Hoje apercebi-me disto:

 

Diferentes cidades onde vivi

Aceitam-se sugestões para uma nova pasta.

 

Powered by WordPress & Theme by Anders Norén