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Arriscar, errar e humanizar: lições da Web Summit

A última semana em Lisboa foi o culminar de dezenas de conversas que iniciei no Social Impact Lab na Alemanha, uma incubadora de inovação social com um programa para startups portuguesas

Tendo em conta a força da user experience no mundo da tecnologia, é de lamentar que a Web Summit 2016, em Lisboa, não se tenha lembrado do utilizador. Pelo menos no início: filas enormes e desorganizadas, falta de informação e milhares de pessoas acima da capacidade.

Mas depressa senti que o formato desta Web Summit não fez mais do que espelhar a era em que vivemos: correria constante, conversas superficiais e falta de concentração mesmo em painéis de vinte minutos. Culpa-se o Twitter, a caixa de email em reprodução constante e o horário a dizer-nos para onde ir já a seguir.

Consegui fazer o trabalho de casa muito antes de 7 de novembro, graças à App da conferência. E assim, entre 35 sessões assistidas em modo multitasking, conversei com duas agências de comunicação, dois pacientes, quatro líderes de startups sociais, nove startups portuguesas na área da saúde, quatro incubadoras e três engenheiros.

O meu kit de sobrevivência para a Web Summit, descrito pela Mariana de Araújo Barbosa no jornal ECO

O meu kit de sobrevivência para a Web Summit, descrito pela Mariana de Araújo Barbosa no jornal ECO

O que a Web Summit me ensinou (ou ajudou a confirmar):

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Paremos de fingir que está sempre tudo bem

(read in English)

…e falemos sobre saúde mental. Basta de partilhar cores e sorrisos, de ler sobre conquistas e viagens de sonho. Há momentos cinzentos que precisam de ser gritados – que a vida é mesmo assim e a dor partilhada custa menos

É só com a postura de hoje que consigo meter mãos à obra, ou dedos às teclas. Por isso conto um episódio já recente que muito me marcou, quando fui a uma conferência em Gainesville, uma pequena cidade universitária no Norte da Florida, Estados Unidos, no Inverno que passou.

Foram quatro dias apertados, dois deles de viagem; talvez daí tenha sido tudo tão intenso. O meu estado era já de maior clareza sobre mim mesma, sensível a histórias que inspiram, a pessoas, músicas e espaços.

debora miranda na conferência frank, onde se partilham exemplos de como a comunicação pode melhorar o mundoEsta é uma conferência pouco convencional: chama-se frank e junta profissionais que acreditam que a comunicação, quando bem feita, pode melhorar o mundo. Sendo ela muito humana e sobretudo num estilo muito norte-americano, deixei-me levar pelas experiências genuínas de dezenas de pessoas – e ferveu-me a necessidade de também lançar ao ar os meus pensamentos. Talvez assim se fizesse empatia.

A fervura foi tal que, num dos três voos de regresso (Gainesville – Miami – Londres – Lisboa), depois de meses a lutar para que as palavras me saíssem, escrevi:

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O terror empático

Je suis sick of this shit
Fiquei grudada à televisão no 11 de Setembro. A distância não impediu o meu peito adolescente de tremer nem a minha cabeça de fazer o luto por pessoas que não conhecia. Por causa de uns tais de terroristas.

Cresci, ocidental e pré-jornalista, a ver na televisão um Médio Oriente amarelo-seco com turbantes e barbas associados a gente doida. A mesma televisão que depois me contou sobre Londres e Madrid, numa era jornalística com imagens profissionais. Cidadã de um país no canto da Europa e de educação católica, quase fui forçada a ver a realidade muçulmana como diferente, estranha, longínqua.

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