Tag: jovens

África

Histórias de família em era de guerra colonial em Moçambique. Histórias de família recém-criada, embarcada para Cabo Verde ao arranque dos anos 80. Histórias de família contadas à mesa ao longo de vinte e muitos anos. Ao fim de vinte e muitos anos, fui eu pisar solo africano pela primeira vez. Vinte e muitos anos atrasada.

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Dia de Camões: a Guerra há quatro décadas

“No regresso, a 10 de Junho, há uma nova vida promissora. Exactamente 43 anos depois da minha chegada a Lourenço Marques, onde me deram uma espingarda com 100 balas verdadeiras. Consegui voltar para ser feliz e ter o meu Tano.”

Disse-me o meu Pai há uns dias.

Que eu ouse sequer um dia queixar-me da vida que tenho.

 

Geração à Rasca – A nossa culpa

por Mia Couto.

Um dia, isto tinha de acontecer.

Existe uma geração à rasca?

Existe mais do que uma! Certamente!

Está à rasca a geração dos pais que educaram os seus meninos numa abastança caprichosa, protegendo-os de dificuldades e escondendo-lhes as agruras da vida.

Está à rasca a geração dos filhos que nunca foram ensinados a lidar com frustrações.

A ironia de tudo isto é que os jovens que agora se dizem (e também estão) à rasca são os que mais tiveram tudo.

Nunca nenhuma geração foi, como esta, tão privilegiada na sua infância e na sua adolescência. E nunca a sociedade exigiu tão pouco aos seus jovens como lhes tem sido exigido nos últimos anos.

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O Jornalismo em dia de Japão à rasca

Mais de 70 pessoas juntaram-se em frente à embaixada portuguesa em Londres pelo movimento “Geração à Rasca”

Se há dias em que sinto o jornalismo a fervilhar-me nas veias, hoje foi um deles. Começou ontem, de mansinho. Primeiro, revoltei-me por ver que dois eventos tão importantes e tão diferentes – Japão e Geração à Rasca – decidiram acontecer exactamente nas mesmas 24 horas. Depois percebi que, enquanto jornalista, podia muito bem vivê-los em conjunto.

Escrevo este blog há sete anos. Nos últimos quatro escrevi muito sobre a minha vida pessoal e profissional na Alemanha, na Bélgica e agora no Reino Unido. Muitas vezes escrevi sobre a Saudade que sinto de Portugal. Hoje foi um dia em que, de certa forma, essa saudade se revoltou.

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Um aeroporto no Lux

(…)

E, sim, há resistências que apascento: continuo a não suportar tascas com cheiro a fritos, luzes fluorescentes e grelhadores de moscas que estalam a cada captura, música martelada a inutilizar o que se diz, inexistência de lugares sentados e zona de fumadores, discotecas de cimento em hangares despovoados, ditas “moderne”, e, muito menos, de misturar-me com os jovens que vejo no Lux, de olhos fitos em qualquer coisa que me escapa, e que me dão sempre a sensação de passageiros em trânsito no aeroporto, esperando que o painel das chegadas e partidas lhes confirme a hora do voo. Em compensação, há outras (resistências) que venço e acarinho: a concorrência com os mais novos, que, incompletos e convencidos, acham que a noite lhes pertence em exclusivo e que os cotas como eu, sem perfil para castings ou Facebooks, não têm direito a viver – é o contrário, mas deixemo-los a pensar, o que é raríssimo.

Rita Ferro,

in Única, Expresso 13.12.2009

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