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É desta, Londres: vou-me embora

central parkSonho multiplicado esse, o de o trabalho me levar para aqueles lados. Trabalho também ele sonhado, lembrando-me que posso fazer algo por que o mundo agradece.

Nos dias de folga passeio com os laços do meu sangue, o Central Park pinta-se de vermelhos e amarelos-bronze num outono brindado a sol de verão. Despacha-te!, levanta o queixo, põe os ombros à vista e sorri com nostalgia que lá não tens disso.

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Maria londrina nova-iorquina

Vi Nova Iorque com as suas imponentes torres gémeas, que me apeteceu abraçar de anorak em puberdade. Senti-as amigas mais velhas a dizer-me que fazia bem em querer escrever para a vida (ou qualquer coisa assim).

Vi Nova Iorque sem torres, um Ground Zero de chão levantado e com ranhuras, qual terramoto provocado por uma dúzia de homens loucos. Elevavam-se as bandeiras orgulhosas do costume.

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Dias longos de verão feliz

O verão começou, ainda que tímido; não percebo com que legitimidade lhe tiraram a letra maiúscula. O meu verão – de, por enquanto, menos de 48 horas – tem sido bastante feliz. Duas semanas de trabalho novo, ideias, desafios, aprendizagens, vontades e tudo o que descreverei depois. (Sabem, eu gosto de deixar algumas coisas para “depois”.)

Surge o fim-de-semana para explorar terraços de verão quando as nuvens dão tréguas, meio na dúvida. Vou parar à casa da minha nova chefe, lá no faroeste da Maria Londres, em consequência de convite após – repito – duas semanas de trabalho. Uma chefe de sorriso contagiante, sangue indiano, educação britânico-norte-americana, marido de San Diego que conheceu durante uma vida nómada entre as Filipinas e Manhattan. Eis que estamos à-mesa-à-americana, prato vegetariano ao colo, acompanhados de um economista de saúde dinamarquês e um geek de startups com três-quase-quatro-passaportes (sendo que o original é jamaicano e eu perdi a sequência das restantes histórias).

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América

Como em quase tudo, também o olhar amadurece com o tempo. Quando era adolescente o sotaque americano maravilhava-me, sob memórias daquela viagem longínqua ao paraíso infantil nos trópicos da Florida.

Lembro-me de aprender a andar de patins entre os carros psicadélicos de Miami beach, das barbatanas de golfinhos ou tubarões que avistámos quando nadávamos a muitos metros da costa, do bafo estranhamente húmido à saída do aeroporto, da chuva torrencial que caiu de repente junto aos foguetões da Nasa, da placa anunciando Portuguese-men-of-war na ponta de Key West, dos crocodilos camuflados nos pântanos, de outros animais tropicais, das praias de areia branca e água quente e cristalina.

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Vinte anos depois Miami pode não ter mudado, mas é um lugar mudado aos meus olhos. É o expoente máximo de um sonho americano que hoje desponta relações de amor-ódio.

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O homem do disco

Era noite de Natal em Benfica, as malas estavam preparadas para o dia seguinte. Dentro dela levavas um presente fresco: um CD precioso que te acompanhava para perto de uma realidade que, de tão desconhecida, te fascinava já em tenra idade. Querias saber como era a vida lá do lado da América.

Não havia iPads, não havia iPhones, não havia Twitter, não havia Facebook, nem sequer máquinas fotográficas digitais. Cada rolo fotográfico era cuidadosamente guardado. Nada se partilhava senão com quem estava fisicamente à nossa volta ou com aqueles que, próximos e interessados, se juntavam a nós à mesa no regresso.

Nem sonhando que um dia um tal de iPod iria aparecer, tu estavas entusiasmadíssima com a ideia de substituir o leitor de cassetes da tua irmã por aquele a que tu chamavas “o homem do disco”. O precioso discman que compraste em Nova Iorque acompanhou-te durante largos anos. Em eras longínquas à dos iPhones, cada play era um gasto de bateria, cada música era ouvida do início até ao fim, e cada álbum era saboreado como um todo, estimulando o nosso espírito crítico. Não à mercê de playlists que desenhamos hoje consoante o nosso humor.

Ansiosa por colocar o teu novo CD no teu novo discman cinzento, mal sabias que o som que te entrava nos ouvidos te traria memórias desta nitidez quase 15 anos mais tarde.

Ouviste esta e outras músicas naquele andar alto do hotel, ouviste-as nos táxis com aqueles motoristas barbudos, ouviste-as nas lojas enquanto se faziam compras, e ouviste-as ao longo daquelas ruas engolidas por arranha-céus, decoradas com luzes amarelas pequeninas. Apitaste ao passar no controlo de segurança de uma das torres gémeas, porque trazias o discman no bolso do anorak. Quando subiste lá acima foi uma das raras vezes em que o teu discman perdeu importância.

Naquela cidade fez muito frio; foi a primeira vez na tua vida que sentiste temperaturas negativas. E assim te rendeste ao norte.

O ano de 1997 estava a acabar, e a tua vida a começar.

Foi ao som do teu discman que te apaixonaste pela cidade que iria mudar-te para sempre.


Homem, Jornalista, Americano – e Português.

Uma das melhores entrevistas que já vi. Luís Costa Ribas, por Daniel Oliveira, em Nova Iorque. Sobre o 11 de Setembro.

Parte 1

Parte 2

Parte 3

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