Tag: primavera

O que somos, consoante onde estamos

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As notas de rodapé televisivas diziam que as resoluções de ano novo (ai a conveniência dos estrangeirismos atropelados) são emagrecer, ir ao ginásio e deixar de fumar. Parece-me tão obviamente português que me ponho a pensar qual seria a lista na Inglaterra que me adoptou: provavelmente viajar para algum país ainda desconhecido, mudar de trabalho e beber menos unidades alcoólicas por semana.

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Diletante há uns bons anos

dez anos

Lembras-te, blogosfera? Conhecemo-nos no dia em que começou a Primavera em 2004. Faz hoje dez anos.

Não podia imaginar que aquele primeiro post na blogspot se desenvolveria por uma década.

primeiro post da diletante

“Porquê diletante?”, muitos me perguntam. Aprendi a palavra na adolescência, ao ler Os Maias. Achei que o Carlos da Maia combinava comigo. Querer fazer, dizer que ia fazer, acabar por não concretizar nada.

Escrevi-te palavras muito pessoais. Ainda as escrevo, mas mais protegidas – dizem que crescer nos torna assim. Mas continuo a defender a transparência. Escrevo o que vejo, penso, vivo.

Fui descrevendo os outros a apanhar aviões, suspirando por não ter coragem. “Um dia”.

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Estações

Começas a aceitar-te assim mesmo, com essa mania de ver sempre adiante. E por isso gostas, ou não te importas, com a mudança de estações.

O Verão, seco e vagaroso, costuma parar-te no tempo, e isso não combina com a tua sede de pressas. Ainda assim faz-te falta, sobretudo se não existe. Sem querer precisas dele para te preparares para novos Setembros.

O Outono traz-te de volta o prazer de passear por ruas nórdicas, e sem dares conta tens a agenda cheia. De novos planos, pessoas, preparativos. O Outono combina contigo porque nunca traz expectativas; e por isso mais facilmente surpreende pela positiva.

No Inverno, enquanto muitos se fecham sobre eles mesmos, tu abres a concha a tudo o que o Norte te proporcionou até hoje. Sabes bem que sempre combinaste melhor com luvas do que chinelos, mas não gostas de admiti-lo.

O frio sorri-te, faz-te sonhar com aconchegos noutros nortes. Mas como teimas em pensar no que está adiante, o Inverno lá acaba por se tornar demais.

E então surge a Primavera, com todas aquelas fragrâncias que te extasiam. Descalças as luvas, vestes blusas leves e deixas-te levar.

Este ano calçaste luvas no Verão. Agora é hora de calçar chinelos no Inverno, e deixar que tudo recomece. Qual Primavera lá do outro lado do mundo.

 

 

 

De mansinho

Está mesmo a chegar, mas ainda não aterrou plenamente. Dá vontade de lhe puxar o braço e obrigá-la a desapachar-se de uma vez. Tem, ainda assim, o poder de influenciar o destino de chegada, porque vai enviando mensagens pelo vento e pelas nuvens, como quem precisa de lembrar que está mesmo, mesmo a chegar.

Ao acordar, a luz invadiu a casa. O silêncio do Inverno acabou; os passarinhos cantam, finalmente. Começam as alergias ao pólen, mas por uma boa razão. A temperatura é amena, as noites mais agradáveis. A bicicleta saiu do hall, quase seis meses depois.

Nunca um Inverno tinha sido tão duro. Tão branco, tão congelado, tão silencioso, tão bloqueador, cabisbaixo e negativo. Com sorrisos arrancados só à força da viagem. De resto, muito triste e muito frio.

Aos poucos, a prima Vera vem substituí-lo. Não se querem zangar – daí que ela venha de mansinho. Só que esta ansiedade pela chegada, qual lufada de ar fresco no aeroporto, ainda é penosa. Mas tudo bem: vamos sofrer mais um bocadinho, até que finalmente seja possível ter quase saudades de nuvens, de chá, de sopas e cachecóis.

Nunca um Inverno me deixou tanta necessidade de correr na praia, de adormecer ao sol, de ler numa esplanada, de saborear um peixe grelhado a ver o pôr-do-sol. Até mesmo de fazer um churrasco nos parques de Bona, ou de pedalar junto ao Reno, de vestido e chinelos.

O primeiro deste ano é para ser saboreado de mansinho.

Meu. Mergulho. No mar.

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