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Inspira, Verão

fim do dia na praia da carriagem

Praia da Carriagem, Costa Vicentina, Portugal

 

Brotam emoções más pelos poros relaxados pela luz de Julho. Postais formam-se ao deitar sobre a areia fofa, a mão e o antebraço quase negros em primeiro plano sobre as rochas negras-laminadas, depois a espuma, depois as ondas, depois o mar aberto até encontrar o azul mais claro lá de cima – esse mesmo, céu.

Transpiram-se emoções de Inverno à medida que se caminha e chapinha no fim do mar a dar à terra, com gente em redor que, no anonimato, partilha a mesma sede de Verão. E assim inspiramos em conjunto o ar salgado que queremos muito que nos fique cá dentro para nos aguentarmos daqui a uns meses.

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Dias longos de verão feliz

O verão começou, ainda que tímido; não percebo com que legitimidade lhe tiraram a letra maiúscula. O meu verão – de, por enquanto, menos de 48 horas – tem sido bastante feliz. Duas semanas de trabalho novo, ideias, desafios, aprendizagens, vontades e tudo o que descreverei depois. (Sabem, eu gosto de deixar algumas coisas para “depois”.)

Surge o fim-de-semana para explorar terraços de verão quando as nuvens dão tréguas, meio na dúvida. Vou parar à casa da minha nova chefe, lá no faroeste da Maria Londres, em consequência de convite após – repito – duas semanas de trabalho. Uma chefe de sorriso contagiante, sangue indiano, educação britânico-norte-americana, marido de San Diego que conheceu durante uma vida nómada entre as Filipinas e Manhattan. Eis que estamos à-mesa-à-americana, prato vegetariano ao colo, acompanhados de um economista de saúde dinamarquês e um geek de startups com três-quase-quatro-passaportes (sendo que o original é jamaicano e eu perdi a sequência das restantes histórias).

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Cabo das Tormentas

Eu bem queria escrever todos os dias, mas Londres não deixa. A energia desta cidade dá toda uma outra história – que fica para a próxima.

A nossa primeira viagem de autocarro por estradas argentinas passou de 9 para 14 horas. “Corrrrrienteeees!”, gritou o motorista para os mais sonolentos. Lá fora um bafo assustador. Dá propina ao señor para tirar mochila lá de trás, dá propina à señora para usar a casa-de-banho sem papel higiénico nem sabão, dá propina à señora para que nos guarde as mochilas bem à vista, sozinhas, numa barraquinha. Não há-de ser nada.

Corrientes surgiu no nosso itinerário simplesmente porque não queríamos fazer a viagem de Iguazu até Salta de uma vez. Decidimos aproveitar o dia num sítio diferente, e nessa mesma noite seguir caminho para o noroeste do país. Estávamos então muito perto do Paraguai, ao largo do seu meio-cabo terrestre mais a sul.

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Troca de hemisférios

Bolo de limão à janela, cachecóis e bebidas quentes separados por uma mesa e um vidro, virados para o céu cujo tom não interessa para agora. Caso não saibam, é assim que eu gosto de escrever. (Podem refrescar memórias aqui.)

Foi há quase um ano que uma visita a Bruxelas decidiu o que se passou nas últimas semanas. Eu queria ir à Austrália e a Viviana queria ir à Índia. Queríamos ir juntas, mas não aos mesmos sítios. Gritámos ao seu flatmate croata que nos trouxesse o mapa mundo – prática comum nas casas desta gente globalizada – e sentámo-nos em cima dele à procura de um destino. O Brasil não seria justo porque “tu falas a língua e eu não”, e eis que o dedo desliza democraticamente para a Argentina.

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Os sites de viagens pregam partidas, sendo a mais conhecida a dos preços reduzidos se o click for feito a meio da semana. Se marcarmos duas viagens individuais em vez de uma viagem para duas, também se poupam umas libras (ou euros, ou pesos, ou dólares, que em quatro moedas se viveram três semanas, mas já lá vamos).

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